Crise de memória: demanda deve crescer muito até 2028 e chegar a “níveis inimagináveis”, sugere Dell


As memórias RAM estão no centro de uma das crises mais sérias que a indústria de hardware já sofreu. Segundo estimativas da Dell, combinando o aumento da capacidade por acelerador com a proliferação cada vez maior desses sistemas em data centers voltados à inteligência artificial, a demanda global por memória pode crescer até 625 vezes até 2028, e quem vai sentir o impacto no bolso, no fim das contas, é o consumidor comum.

O cenário tem um motor claro: os data centers que sustentam as operações de IA precisam de volumes crescentes e cada vez mais absurdos de memória para funcionar. Empresas como a NVIDIA estão introduzindo soluções cada vez mais avançadas para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial, o que eleva drasticamente os requisitos de DRAM por equipamento. À medida que esses aceleradores se tornam mais potentes e mais disseminados, a pressão sobre a oferta global de memória só aumenta.

Contratos de longo prazo comprimem a oferta para o mercado comum

Outro fator que agrava o quadro são os contratos plurianuais firmados entre fabricantes de memória e hyperscalers, as gigantes de infraestrutura em nuvem. Esses acordos costumam durar até 5 anos e garantem uma demanda contínua e previsível para os fornecedores, o que é bom para o setor corporativo, mas nocivo para os demais segmentos. Com parcelas significativas da produção já comprometidas com grandes clientes, sobra menos estoque para o mercado de PCs, placas de vídeo para consumidores e outros produtos de varejo.

A perspectiva de escassez estrutural no mercado de memórias deve se manter concreta pelo menos até 2027, quando um aumento na capacidade de produção está previsto. Até lá, o desequilíbrio entre oferta e demanda tende a sustentar preços elevados, e quem quiser montar ou atualizar um PC nesse período precisará estar preparado para pagar mais caro por isso.

O quadro geral confirma uma tendência que já vinha se desenhando: a IA não está apenas transformando o software e os serviços digitais, mas está devorando a própria cadeia de suprimentos de hardware, redefinindo prioridades de produção e quem, afinal, dita as regras do mercado.

Fonte: WCCFTech



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