Dragon Age pode estar caminhando para um longo período de hibernação. Em entrevista ao portal FRVR, Mark Darrah, veterano de 23 anos na BioWare e produtor executivo da franquia Dragon Age, afirmou que não enxerga um novo jogo da franquia sendo aprovado tão cedo, e apontou o processo interno de aprovação (greenlighting) da EA como o principal obstáculo.
Segundo Darrah, o problema vai além de uma simples questão de prioridade. A estrutura de propriedade intelectual dentro da EA cria um ambiente onde diversas pessoas acreditam ter algum tipo de controle sobre determinados IPs da empresa. Na prática, isso significa que qualquer tentativa de colocar um projeto em movimento pode ser travada antes mesmo de sair do papel.
“O que eu ouvi é que se você decide fazer um [jogo baseado em uma propriedade intelectual]… no instante em que você está prestes a começar, de repente, três pessoas diferentes que acham que controlam tudo aparecem do nada e basicamente te destroem, te destroem e te cospem fora”, disse o produtor.
O cenário é agravado pelo fato de a BioWare estar atualmente concentrada no desenvolvimento do novo jogo de Mass Effect, anunciado em dezembro de 2020. Com o estúdio voltado para essa produção, Darrah questiona quem, dentro da casa, sequer tocaria no assunto.
“O problema é que eu não sei quem na BioWare apresentaria uma proposta para um Dragon Age”, afirmou. Ele ainda ponderou sobre a hipótese de outro time dentro da EA tentar pegar a franquia, mas descartou a ideia com ceticismo.
“Então, a outra opção é que alguém dentro da EA decida apresentar um projeto de Dragon Age e, o que eu prevejo que aconteceria se isso acontecesse, é que alguém na BioWare se tornaria uma daquelas pessoas que se jogam debaixo dos dutos de ventilação para acabar com essa pessoa. Suspeito que isso não aconteceria por uma série de razões.”


Uma franquia que ficou uma década sem novidades
Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024, foi o título mais recente da saga e o primeiro em uma década, o jogo anterior era Dragon Age: Inquisition, de 2014. O retorno prolongado da franquia às prateleiras já dizia muito sobre a dificuldade de se manter viva dentro de uma estrutura corporativa grande como a da EA, e as declarações de Darrah jogam luz sobre os bastidores desse processo.
A situação da BioWare também não é das mais confortáveis. No início de 2025, logo após o lançamento de The Veilguard, a EA reduziu o estúdio. O gerente geral da BioWare, Gary McKay, confirmou que um número não especificado de funcionários foi transferido para outros times dentro da empresa, sob a justificativa de que o novo Mass Effect não exigiria “suporte do estúdio completo”.
No que diz respeito ao novo Mass Effect, o produtor executivo Mike Gamble foi a campo no ano passado para afastar rumores de que o projeto estaria em apuros. “Como vocês, ouvimos os rumores recentemente”, escreveu ele em comunicado. “Vocês deixaram claro que se importam profundamente com o que vem a seguir. Então vamos começar acertando os ponteiros: o próximo Mass Effect está em desenvolvimento, e a EA e a BioWare permanecem comprometidas em contar mais histórias nesse universo.”
Para Darrah, a conclusão é dura, mas direta: a EA possui “um número assustador de IPs dormentes”, e Dragon Age corre o risco de engrossar essa lista indefinidamente.
Fonte: Video Games Chronicle











