As melhores ficções científicas falam sobre os mesmos assuntos, revela especialista


Qual é o segredo do sucesso das maiores ficções científicas da história? Para uma especialista no gênero, tudo se resume a como eles tratam os mesmos temas em diferentes “roupas”.

Se pegarmos Alien, Blade Runner, Duna, Avatar e outras ficções, é fácil perceber que eles falam sobre os mesmos assuntos com diferentes roupagens. A única diferença é qual desses temas eles preferem dar mais ênfase na trama, mas que, ao ver sobre tudo que é contado ali nas páginas, são praticamente os mesmos.

Para ela, tudo começa no século 19, quando as primeiras ficções começaram a ser escritas, mas só foi depois da Segunda Guerra Mundial, com o fim da decolonização de locais e suas independências, que esse gênero prosperou. Guerras dessa época, como a do Vietnã e das Coreias, também serviram de base para, por exemplo, Star Wars, como George Lucas sempre falou.

O fato de a modernização e o maior controle de empresas também acontecerem foi base para histórias como Alien e Blade Runner, de Ridley Scott, e Avatar, de James Cameron. No cerne, essas histórias mostram os efeitos do capitalismo e grandes empresas controlando a população e o afastamento das pessoas de sua própria humanidade. No caso de Avatar, esse papel é dividido entre as empresas e o exército que querem lucrar com Pandora.

Mas, no cerne, ao comparar essas histórias com outros exemplos de ficções (como os citados anteriormente), o que eles querem falar mesmo é sobre a humanidade, sentimentos e o que é ser humano. Em Avatar, Jake se sente mais livre para ser quem é ao ocupar o corpo de outro ser. Em Blade Runner, os replicantes parecem ter mais consciência de seus sentimentos e “agir humano” do que Deckard, um humano. Em Duna, Paul Atreides perde sua humanidade para se tornar um deus e passa a cobiçar esse sentimento de ser normal. Em Alien, todos aqueles que trabalham para a Wayland não são mais considerados pessoas, mas, sim, objetos totalmente descartáveis. Em Star Wars (trilogia original), o Império não trata mais as pessoas com dignidade, e todo Trooper é só descartável.

Entre questões que lidam com o fascismo, consumismo, capitalismo, colonização, liberdade, luta, meio ambiente e tecnologias que nos afastam de uma vida mais digna, ficções científicas sempre vão lidar com o ser humano, ter sentimentos e a vontade de ser livre sem que forças maiores nos controlem.


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