Nesta semana, a Activision soltou a primeira informação oficial do Call of Duty de 2026 e afirmou que este será o primeiro game da franquia desde a chegada da nona geração de consoles que não será lançado para PlayStation 4 e Xbox One, marcando o fim dos lançamentos da franquia na oitava geração. Quando li a notícia, o pensamento inicial foi muito comum: “finalmente chegamos à nova geração de consoles”.

Em 2026, o PlayStation 5 e Xbox Series X|S completarão seis anos de existência, mas só agora a franquia Call of Duty estará 100% focada nesse ecossistema. Em comparação, Call of Duty: Black Ops 3, lançado em 2015 — apenas dois anos desde a chegada do PlayStation 4 e Xbox One — foi o último game da franquia lançado no PS3 e Xbox 360. E isso me fez questionar por que temos essa sensação de que a nova geração nunca chegou?
Chega a ser um exagero dizer que chegamos apenas agora à nova geração — estamos nela há seis anos e jogos como Saros, Death Stranding 2, Doom: The Dark Ages mostram que os jogos possuem visuais melhores, mais partículas, mais coisas rolando na tela etc., mas ainda não tivemos aquela emoção de ver o salto geracional do PS3 e Xbox 360 para o PS4 e Xbox One — e sinto lhe informar, porém, jamais teremos essa sensação novamente.

Videogames atingiram um teto visual que ultrapassá-lo beira o impossível. Gráficos estão mais realistas do que nunca, com alguns jogos causando até confusão se é um live-action ou não para olhos não muito atentos. E ter atingido esse patamar visual resulta em uma barreira em que os jogos não saltam muito graficamente de uma geração para outra, e esse é um sentimento ao qual precisamos nos acostumar.
A nova geração está aqui há seis anos e já entregou muito potencial; ainda tem mais para entregar. GTA 6 está a caminho em novembro deste ano e promete que a franquia será mais uma vez revolucionária.
Democratização dos videogames está em xeque?
Mas existe algo negativo nesse foco da franquia Call of Duty na atual geração: a democratização dos games. Nesta sexta-feira (8), a Nintendo anunciou um aumento no preço do Switch 2. O PS5 também sofreu um aumento no valor este ano, e, embora o Xbox não tenha passado pelo mesmo, a crise da memória RAM causada pela escassez motivada pela exacerbação de empresas de IA generativa pode atingir e muito a próxima geração de consoles.
Aqui no Brasil, videogames sempre foram um artigo caro e o habitual, pelo menos na minha experiência, era esperar os anos passarem para que o console desejado ficasse mais barato. Atualmente, no entanto, a realidade é oposta. Mesmo seis anos após o lançamento do PS5 e Xbox Series X|S, o PS4 ainda é o videogame mais presente na casa dos latinos.

Hoje, o videogame que as pessoas mais têm na América Latina é o PlayStation 4, ainda com 38 milhões de aparelhos ativos que vocês estão usando hoje”, disse Mauro Berimbau, consultor da GoGamers, em entrevista ao IGN Brasil sobre a PGB Latam 2026. “E, em segundo lugar, o PlayStation 5. O que é uma característica muito latina. Existe uma limitação de acesso, de recurso, mas as pessoas dão um jeito de ter acesso ao console atual no final das contas”, completou.
Apesar do alto custo, o PS5 ainda é muito popular e as pessoas dão um jeito para comprá-lo. O maior foco na geração atual de consoles significa que grande parte do público fique sem novos jogos, e isso não é bom. Mas a tecnologia precisa ir adiante.
Infelizmente, o mercado de videogames vive um momento conturbado em preços, desenvolvimento, situação dos trabalhadores da indústria; enfim, gostar de videogames está mais caro do que nunca.
Do ponto de vista técnico, ver empresas como a Activision focarem na geração atual é positivo porque significa que, potencialmente, teremos jogos melhores. Agora, do ponto de vista social, isso significa que uma grande base de jogadores ficará sem acesso a esses novos jogos, simplesmente porque está muito caro migrar de geração.
Estamos distantes de uma salvação para a indústria de games, de uma solução para a crise da memória RAM e para a bolha da IA, mas, enquanto isso, se você ainda se questionava se a nova geração chegou ou não, ela já está aqui há seis anos e talvez você só não tenha reparado porque está muito vidrado em como uma poça d’água reflete o céu, enquanto um videogame guarda muito mais do que isso.
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